No que Acredito, como Historiador do Genocídio

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O. Bartov

No que Acredito, como Historiador do Genocídio

Neste breve ensaio, Omer Bartov destaca, com clareza, as concepções jurídicas que, no quadro internacional, permitem distinguir entre crimes de guerra, limpeza étnica, crimes contra a humanidade e genocídio.

Ao considerar os acontecimentos recentes em Gaza, logo após o condenável ataque do Hamas, que desencadeou a reacção militar das Forças Armadas de Israel e uma escalada de violência contra os palestinos na Cisjordânia, o historiador analisa algumas das declarações públicas e extremistas de responsáveis governamentais e do exército. Nestas declarações ele vê não apenas uma campanha meramente retórica, mas sim uma operação prática que tem por objetivo dar continuidade ao processo de limpeza étnica, a qual poderá degenerar em genocídio.

Ao pretender ignorar a ocupação e a opressão de milhões de pessoas ao longo de décadas e incapaz de estabelecer um real compromisso político com os palestinos, o Estado de Israel visa em primeiro lugar a sua desumanização, cujos sequência de passos – destruição, deslocamentos em massa, despovoamento e morte de inocentes em grande escala – pode preocupantemente conduzir a um genocídio.

O autor alerta a comunidade dos judeus de todo o mundo, mas também a comunidade internacional, para este perigo, para que os crimes de guerra não redundem em genocídio, lembrando que após o Holocausto é a dignidade e a humanidade do outro que devemos proteger.

Omer Bartov

O. Bartov, n. 1954 em Israel. Formado na Universidade de Telavive e no Saint Antony’s College de Oxford, é historiador, Professor de Estudos Samuel Pisar sobre o Holocausto e o Genocídio na Brown University, desde 2000. É considerado uma das maiores autoridades mundiais sobre genocídio e um importante investigador sobre a vida e a história judaica na Galícia. A este respeito, publicou Anatomy of a Genocide. The Life and Death of a Town Called Buczacz (2018) e Erased. Vanishing Traces of Jewish Galicia in Present-Day Ukraine (2007). Conhecido também pelos seus estudos sobre o exército alemão na II Guerra Mundial, em The Eastern Front, 1941–45. German Troops and the Barbarization of Warfare (1985) e Hitler’s Army (1991), contestou a opinião corrente de que a Wehrmacht era uma força apolítica sem envolvimento nos crimes de guerra ou crimes contra a humanidade, ao analisar o seu papel determinante no Holocausto nas zonas ocupadas da União Soviética. Desde então, continua a estudar as ligações entre a guerra total e o genocídio, analisadas nos seus livros Murder in Our Midst (1996), Mirrors of Destruction (2000) e Germany’s War and the Holocaust (2003). Dedicou ainda uma especial atenção à persistência dos estereótipos antissemitas em The “Jew” in Cinema (2005). Recebeu o National Jewish Book Award e o Yad Vashem International Book Prize em Holocaust Research, e a sua obra tem sido traduzida para muitas línguas. No recente livro Tales from the Borderlands. Making and Unmaking the Galician Past (2022) explora estes temas nos séculos anteriores ao Holocausto.

Em agosto de 2023, Bartov, conjuntamente com mais de 1.500 académicos e figuras públicas israelenses, judias e palestinas dos EUA, assinou uma carta aberta onde se afirma que Israel opera “um regime de apartheid”, apelando a que os judeus se pronunciem contra a ocupação da Palestina.