A Paz Chegará à Palestina com a Liberdade

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I. Pappe

A Paz Chegará à Palestina com a Liberdade

No imediato rescaldo do ataque perpetrado pelo Hamas em 7.10.223, o historiador Ilan Pappe contextualiza os acontecimentos que durante semanas o antecederam, o movimento de protesto contra o projeto governamental de reconfiguração do sistema judicial de Israel. Nestes protestos a discussão sobre a Ocupação dos Territórios Palestinos – Faixa de Gaza e Cisjordânia – era tema considerado como resolvido ou, com efeito, proscrito. Qualquer tentativa para se falar da Palestina ou da violência continuada sobre os palestinos era sumariamente silenciada. O único problema era a reforma judicial, num país dividido entre duas concepções de apartheid: uma secular, à maneira das democracias ocidentais; a outra messiânica, religiosa e autocrática – de ambas, estando definitivamente excluídos os palestinos.

Contra esta percepção comum em Israel, o autor vem contestar décadas de propaganda, de narrativas e falsidades, a partir das quais se tem de-historicizado e descontextualizado a causa palestina e a sua luta anti-colonialista. A sua crítica incide, em primeiro lugar, sobre a natureza ideológica e racista do movimento sionista, que está na génese do Estado de Israel. Neste sentido, procura distinguir a natureza dos legítimos movimentos de auto-determinação e libertação nacional de qualquer genealogia etnoracial, a partir da qual se mobiliza o programa colonialista de aparthied, de ocupação e eliminação-expulsão dos autóctones. Em segundo lugar, procura sublinhar a longa duração da história palestina que fundamenta a sua legítima luta pelo direito a viver independente, democrática e livre no seu território. Quando estas condições sejam cumpridas a Palestina viverá em paz.

Ilan Pappe

I. PAPPE (n.1954), historiador, é diretor do European Centre for Palestine Studies na Universidade de Exeter. Filho de pais alemães que em 1930 fugiram da perseguição nazi, nasceu em Haifa, em Israel efetuou o serviço militar obrigatório, licenciou-se pela Universidade Hebraica de Jerusalém (1979) e obteve o doutoramento pela Universidade de Oxford (1984). Lecionou na Universidade de Haifa entre 1984 e 2008. Face às crescentes dificuldades em viver e desenvolver a sua atividade em Israel, a partir de 2008 estabelece-se no Reino Unido. Entre as quase duas dezenas de livro e centenas de ensaios breves que publicou, destacam-se Britain and the Arab-Israeli Conflict (1988), A History of Modern Palestine (2003; História Moderna da Palestina), A Limpeza Étnica da Palestina (2006) e Ten Myths about Israel (2017; Dez Mitos sobre Israel).

Foi e permanece um dos mais proeminentes «novos historiadores» israelenses, que, a partir dos anos 1990, com a abertura dos arquivos documentais relativos à constituição do Estado de Israel, reaprecia este período, resolutamente qualificando o processo que resultou na expulsão de aproximadamente 750.000 árabes da sua terra Natal como uma vasta e deliberada operação de «limpeza étnica». Disto mesmo dá conta em A Limpeza Étnica da Palestina, obra com um notável percurso editorial, traduzida em dezenas de línguas e países.

Com posições políticas bem marcadas, é um defensor da solução de «um Estado» entre o Mediterrâneo e o Jordão, com igualdade de direitos cívicos e políticos entre israelenses e palestinos. Encara o seu trabalho de historiador no quadro do dever de uma memória verdadeira, que reconheça o dano causado aos palestinos, como condição para a reconciliação entre as partes e para a construção de uma paz sustentável.